O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo (SAF), promoveu, em Brasília, um encontro para debater os resultados da pesquisa sobre os serviços de assistência técnica e extensão rural (Ater) ofertados no âmbito do Projeto Dom Helder Câmara (PDHC). A primeira etapa da pesquisa foi encerrada no fim de fevereiro e trouxe resultados importantes para a gestão do projeto.

Participaram do encontro representantes do Projeto Monitora, da Universidade de Brasília, responsável pela pesquisa, e da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), além de outros convidados.

O PDHC é desenvolvido pelo Mapa/SAF, em conjunto com a Anater e várias instituições de assistência técnica e extensão rural, por meio de um acordo de empréstimo firmado entre o Brasil e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida). A iniciativa traz ações de combate à pobreza e apoio ao desenvolvimento rural sustentável no semiárido,

Diagnóstico

Durante o mês de fevereiro, os técnicos passaram por 53 municípios dos estados de Sergipe, Pernambuco, Alagoas e Paraíba entrevistando agricultores familiares, técnicos das empresas que desenvolvem os serviços de Ater no âmbito do PDHC, e gestores. Ao final do levantamento, que será realizado em três etapas, os pesquisadores passarão por mais de 200 municípios, nos onze estados de abrangência do projeto: Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas Bahia, Piauí, Paraíba, Sergipe, Maranhão, norte de Minas Gerais e Espírito Santo. 

A pesquisa pretende produzir um conjunto de informações robustas sobre a importância da assistência técnica e extensão rural no semiárido. Além disso, visa o monitoramento adequado e a readequação necessária para o alcance dos principais objetivos do projeto. O preenchimento dos questionários é feito por meio de um aplicativo desenvolvido pelo Projeto Monitora. 

Reflexões

No encontro, Saulo Santos, sociólogo e um dos pesquisadores, destacou que, a partir das entrevistas, percebeu que os agricultores familiares atendidos conseguiram se apropriar de técnicas e conhecimentos fundamentais para aumentar a segurança alimentar das famílias, e aumentar a oferta de produtos, com maior inclusão produtiva, por meio da Ater oferecida. 

“Deu para entender claramente a importância da assistência técnica nas propriedades visitadas e a consequente dom helder2.jpegmelhoria de vida das famílias atendidas pelo projeto. Foi possível constatar também o papel das mulheres. Elas são elemento principal nas unidades familiares, somando, ao trabalho doméstico, tarefas na propriedade e nas vendas da produção da família”, disse. 

Expectativa 

Para o diretor do Departamento de Estruturação Produtiva da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo (DEP/SAF/Mapa), José Paulo de Almeida, o encontro trouxe reflexões importantes no que diz respeito às ações de Ater. 

“Acreditamos que o resultado do diagnóstico, que será terminado até abril, nos trará informações que nos auxiliarão a qualificar as políticas públicas propostas para fortalecer as famílias e ajudá-las na convivência com as secas”, enfatizou. 

Segundo Mário Ávila, coordenador do Monitora, os primeiros resultados mostram que esse levantamento de dados é mais do que necessário. “Esperamos que o diagnóstico permita que todas as instituições envolvidas no PDHC conheçam em profundidade o alcance do projeto, reafirmando o potencial da assistência técnica e extensão rural, do próprio PDHC e do semiárido”, disse. 

Sobre o projeto 

Criado em 2001, o Projeto Dom Helder Câmara atendeu 13 mil famílias até 2010. Em 2014, foi assinado um novo acordo com o Fida, para a realização da segunda fase do projeto, na qual serão implementadas ações em 913 municípios, cuja expectativa é atender 74 mil famílias. Atualmente, cerca de 57 mil famílias estão sendo contempladas com ações de Ater. 

O PDHC tem como objetivo promover o desenvolvimento rural sustentável no semiárido do Nordeste, área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), e busca reduzir os níveis de pobreza e desigualdades na região, promovendo a articulação de políticas públicas federais, estaduais e municipais. Além disso, visa qualificar os produtores e desenvolver a produção sustentável, estimulando a replicação de boas práticas.

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