As redes de telecomunicações evoluíram rapidamente em todo mundo. Basta imaginar que o Brasil completa 30 anos desde a chegada dos primeiros telefones móveis. Isso aconteceu no dia 30 de dezembro de 1990, quando 667 linhas começaram a funcionar no município do Rio de Janeiro (RJ).

De lá para cá, várias gerações de padrões e tecnologias de telefonia móvel se difundiram por todo mundo. A quarta geração (4G) expandiu tanto as possibilidade de uso, especialmente de transferência de dados e acesso a internet que, de acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP/2019), o Brasil possui mais de 230 milhões de smartphones ativos.

A inclusão digital chegou para boa parte dos brasileiros e uma nova fronteira tecnológica se desvela no horizonte: a implantação da tecnologia 5G no País.

Diferente das tecnologias anteriores, esse novo paradigma vai muito além de aumentar a velocidade de transferência de dados. “É permitir que tenhamos serviços mais avançados de maneira a beneficiar toda a sociedade. A humanidade vai evoluindo conforme alguns eventos. Esse evento do 5G é um salto qualitativo. Vai permitir várias aplicações que passam pela saúde, da educação, da segurança pública, mobilidade urbana. São várias aplicações que cada pessoa vai sentir no seu cotidiano”, acredita o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móveis Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), Marcos Ferrari.

Para o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Leonardo Euler, o 5G vai remodelar a práticas sociais e os meios produtivos. “Se trata de um guarda-chuva que vai catalisar diversas tecnologias como: inteligência artificial, análise decorrente de Big Data, o uso de inteligência a partir de machine learning decorrente de Inteligência Artificial). Portanto, além de uma vazão de dados maior, o 5G oferece novas facetas, notadamente a Internet das Coisas”, detalha.

5GInternet das Coisas

A Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) é a troca de informações entre quaisquer dispositivos com acesso a internet. É uma rede gigante de coisas e pessoas conectadas que coleta e compartilha dados sobre o modo como os aparelhos são usados e sobre o ambiente ao redor deles.

Isso inclui um número extraordinário de dispositivos de todas as formas e tamanhos. De micro-ondas inteligentes, que cozinham automaticamente seu alimento pelo tempo certo, até carros autônomos, cujos sensores complexos detectam objetos em seu caminho.

Até mesmo no comércio pode ser utilizado a IoT. Com sensores em uma loja, é possível descobrir em quais locais os clientes passam mais tempo ou quais produtos são consumidos, inclusive realizando o pedido aos fornecedores de forma automática, conforme o estoque de algum produto fique baixo. Tudo isso são exemplos de IoT.

A IoT permite várias ​possibilidades de comunicação, muitas das quais ainda não é possível entender completamente o impacto. E a tecnologia 5G vai ampliar tudo isso trazendo a massificação da Internet das Coisas.

Em uma escala ampla, a IoT massiva pode ser aplicada a coisas como redes de transporte em cidades inteligentes, que podem nos ajudar a reduzir o desperdício e melhorar a eficiência de coisas como o uso de energia e redução do tempo de deslocamento.

Próximos passos brasileiro

A Anatel abriu consulta pública para colher contribuições para aprimorar o Edital de Licitação das faixas de radiofrequências que permitirão a implementação da tecnologia de quinta geração (5G) no Brasil. As contribuições da sociedade podem ser feitas até o dia 2 de abril de 2020. Nesse período, haverá audiência pública em Brasília para fomentar o debate sobre o edital. A data da reunião ainda não foi definida. 

O edital propõe a licitação das faixas de 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz e traz, como novidade, a inclusão de mais 100 MHz na faixa de 3,5 GHz. “O edital que a Anatel vem elaborando provavelmente será o maior edital de direito de uso de radiofrequência da história do Brasil. Trabalhamos intensamente para realizar o leilão ainda em 2020. Se assim o fizermos, o Brasil está junto com os países que estão na vanguarda, como os países da Europa”, declarou o presidente da Anatel, Leonardo Euler.

O secretário de Telecomunicações do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Victor Meneses, lembrou que a Anatel usará, no Edital de Licitação, compromissos de abrangência para levar conectividade para áreas que ainda precisam. “Muitas vezes há áreas isoladas que não são atrativas do ponto de vista econômico. Uma operadora, para ir até lá, muitas vezes ela vai tomando prejuízo ou vai ganhando muito pouco. Às vezes não há uma atração. Então colocamos ali aquelas áreas que devem ser priorizadas como compromissos de cobertura que a Anatel vai estabelecer no edital. Impõe obrigações para que a gente possa ter o país inteiro conectado”, detalhou Meneses

A primeira grande etapa desse processo é a Consulta Pública. Após isso, é preciso analisar, individualmente, cada uma das contribuições que forem enviadas. Depois, a Anatel adequa a proposta. “Fazemos um modelo de negócios hipotético onde são estimados os custos para precificar o direito de uso da faixa. Essa proposta é submetida ao crivo do TCU, que tem até 150 dias para se pronunciar. Na sequência, os autos vão para a AGU, retornam para a área técnica da Anatel e vão para o Conselho Diretor, onde é designado um relator da matéria. Há todos esse trâmite legal, mas eu acredito ser bastante factível realizar este leilão ainda em 2020”, acredita Euler.

Com informações do MCTIC, AnatelSindiTelebrasil e DOU